Capítulo II - Dos
principados hereditários
Controlar o poder é mais fácil, pois a família do príncipe
já estava lá antes, ocupando o poder. E mesmo que seja conquistado, facilmente
voltará ao poder com o apoio da população.
Capítulo III – Dos
principados Mistos
Quando um príncipe conquista um novo território, para
mantê-lo é necessário habilidade, inclusive a conservação de impostos e
costumes para sociedade "se manter" na mesma linha anterior, não
percebendo assim tantas mudanças, é necessário também manter a vigilância nessa
sociedade.
Capítulo V – Da
maneira de conservar cidades ou principados que antes da ocupação, se regiam
por leis próprias
Existem três formas de se conservar cidades depois das
invasões, 1° - Destruir-los, 2° - Habitá-los e 3° - deixá-los com suas leis
cobrando apenas impostos. Na verdade não existe meio
seguro de conservar uma conquista que não seja com destruição. Caso quem
conquiste uma cidade e não a destrua estará esperando para ser destruído por
ela. Quando as cidades encontram-se acostumadas a viver sob a dinastia de um
príncipe e esta é extinta, torna-se difícil um acordo para a escolha de um novo
príncipe, pois os cidadãos não sabem viver em liberdade.
Capítulo VI
– Dos principados novos que se conquistam pelas próprias armas e valor
Para um novo príncipe, a maior dificuldade no processo de
conquista é a imposição de novos tributos e novas leis, pois a antiga
legislação estava favorecendo alguma classe de indivíduos, enquanto a nova
legislação não teve tempo de conquistar novos fiéis.
Capítulo
VII – Dos principados novos que se conquistam com armas e a fortuna de
outrem
Príncipes que conquistam reinos por meio da sorte ou do
dinheiro, ou que lhes é dado o reino, rapidamente perdem o trono, porque na
verdade eles estão sendo controlados por aqueles que o cederam ao trono.
Capítulo
VIII – Dos que alcançaram o principado pelo crime
Estes não possuem nem virtude e nem sorte,se manter no poder
será difícil pois não agradará os cidadãos...
Capítulo
IX – Do Principado Civil
Quando um cidadão privado torna-se príncipe com
o favor de seus cidadãos, podemos chamar de principado civil, ou seja, se
ascende com o favor do povo ou com aquele dos grandes. Para assim se tornar
príncipe não é preciso muita virtude ou muita fortuna.
O povo não quer ser mandado nem oprimido e isto
é o que desejam os poderosos. É destes anseios que nascem três efeitos: ou o
principado, ou liberdade, ou desordem.
O
principado é constituído pelo povo ou pelos grandes, quando os grandes não
podem resistir ao povo começam a passar prestígio a um deles e o tornam
príncipe para que possam a sua sombra governar. O povo quando não pode resistir
aos poderosos volta à estima a um cidadão e o torna príncipe para estar sendo
defendido pela autoridade dele.
Aquele
que chega ao principado com a ajuda dos grandes se mantém no poder com maiores
dificuldades, pois tem muitos ao seu redor e por isso não poderá governar como
quiser. Já aquele que conquistar o principado com o favor do povo não terá
ninguém ao seu redor e a maioria dos cidadãos encontram-se prontos a obedecer.
Outro fator é que sem injúria não se pode satisfazer aos grandes, ao contrário
pode-se fazer bem ao povo, levando em consideração que o objetivo deste é mais
honesto daquele dos poderosos, que querem oprimir enquanto aqueles apenas não
querem ser oprimidos.
O pior que pode acontecer a um príncipe é ser
abandonado pelo povo ou que este se volte contra ele. Alguém que se torne
príncipe com o favor do povo, conservá-lo amigo torna-se fácil, visto que esse só
não deseja ser oprimido. Por outro lado alguém que se torne príncipe em favor
dos grandes e consequentemente contra o povo, deverá antes de tudo procurar
ganhá-lo, o que se torna fácil se este lhes der proteção.
“… quem se apóia no povo firma-se na lama,…”
esta frase se faz verdadeira quando um cidadão privado estabelece suas bases
sobre o povo e imagina que o mesmo vá libertá-lo quando oprimido. Um príncipe
deve encontrar uma maneira que faça com que os cidadãos sempre tenham
necessidade do Estado e dele mesmo, sendo assim o povo sempre lhe será fiel.
Capítulo
XII – Dos gêneros de milícias e dos soldados mercenários
Os principais fundamentos que os Estados, tanto os novos
quanto os velhos e os mistos, possuem são as boas leis e as boas armas, e como
não pode haver boas leis onde não existam boas armas e onde existam boas armas
é preciso que existam boas leis, deixa-se de falar em leis para falar apenas em
armas. As armas com que um príncipe
defende seu Estado podem ser próprias ou mercenárias, auxiliares ou mistas. As
mercenárias e as auxiliares são inúteis e perigosas, e se alguém apoia seu
Estados nelas, jamais estará firme e seguro, pois elas são desunidas,
ambiciosas, infiéis, indisciplinadas, galhardas entre amigos, vis entre
inimigos, não temem a Deus e não possuem fé nos homens, tanto adia a ruína
quanto se transfere o assalto. Na paz se é esfoliado por elas, na guerra pelos
inimigos. Isso se deve ao fato de que elas não possuem outro amor nem outra
razão que as mantenha em campo, a não ser um pouco de soldo, desejam muito ser
teus soldados enquanto não há guerra.
Capítulo XVII – Da crueldade e da piedade e se é melhor ser amado ou temido
Capítulo XVII – Da crueldade e da piedade e se é melhor ser amado ou temido
O príncipe deve ser temido e amado, mas como é difícil a
unificação dos dois sentimentos, é melhor ser temido do que amado. O amor é alimentado pelo sentimento de dever, já o temor
é regido pelo receio do castigo. Um príncipe amado por seu povo gera muitas
expectativas e caso estas não sejam atendidas, e de forma breve, o príncipe
passará a ser odiado. Um príncipe temido, por outro lado, é respeitado sendo
que a única coisa que ele deve evitar é tornar-se odiado pelo povo.
Capítulo
XVIII – De que forma os príncipes devem manter a palavra
Duas formas são as existentes neste caso:
pelas leis e pela força. Quando a primeira não é o bastante, fazem-se o uso da
segunda. Um príncipe prudente deve desfazer de sua palavra quando esta lhe
apresenta riscos ou quando as causas que a determinam não estejam mais
presentes. O príncipe não precisa de fato ter todas as virtudes (entre essa
piedade, integridade, lealdade, humanidade e religião), porém deve agir como se
as possuísse. Todos veem o que o príncipe aparenta, mas poucos sabem, sendo que
estes nem ao menos ousariam contrariar a opinião da maioria. Deve ser lembrado
que o que importa nas ações de todos os homens, em especial quando se tratando
de príncipes, são os fins sendo que independente dos meios utilizados, estes
devem ser sempre honrados e louvados.
Bônus : algumas características para agradar o
povo,consiste em não ser efeminado ou “medroso”, não se pode permitir roubos e
os cidadãos devem se sentir seguros, príncipes também não podem ser neutros e
nem apoiar aqueles reinos que são maiores que os deles.















